O mercado como obra coletiva

Caio Calfat Real Estate celebra 30 anos de história

  • Artigo de Caio Calfat 

Três décadas podem parecer extensas quando olhamos para o passado, mas são breves se consideramos as transformações pelas quais o Brasil passou neste período. Nessa janela de tempo, o turismo com viés imobiliário passou por momentos de entusiasmo e ajustes, além de uma crise sanitária que testou a resiliência de toda a cadeia. Saímos de um cenário de instabilidade e incerteza e passamos a um ambiente melhor em termos de financiamento, gestão e decisões baseadas em dados.

Em cada etapa dessa transformação, uma premissa se destacou: sem planejamento, o setor não se desenvolve de forma adequada e, sem regras, ele não atinge a maturidade. Em 1996, a Caio Calfat Real Estate Consulting surgiu para preencher uma lacuna entre decisão e realidade. Não como uma defensora de modelos prontos, mas como parte de uma estrutura que analisa antes de lançar uma ideia, avalia com critério antes de prometer. Se há algo que ficou claro ao longo desses 30 anos é que a sustentabilidade de um empreendimento turístico-imobiliário começa muito antes da construção em si.

A Lei da Multipropriedade (Lei nº 13.777/2018) é um bom exemplo desse avanço. Mais do que um marco jurídico, ela trouxe previsibilidade, segurança e credibilidade ao consumidor, além de potencializar o desenvolvimento e dar a ele escala, transformando uma prática em um modelo claro e regrado. Maturidade, entretanto, não se limita a uma lei: ela exige boas práticas. Assim, os manuais da multipropriedade desempenharam um importante papel ao alinhar a informação e equilibrar as expectativas.

No âmbito territorial, os Distritos Turísticos também são marcos desse período ao transformar o conceito, reconhecendo que o desenvolvimento de um destino não acontece de forma aleatória. Ele é planejado. Delimitar áreas, exigir estudos, estabelecer modelos de gestão e alinhar a infraestrutura à vocação do local transformou o turismo em política de desenvolvimento, não em estratégia de promoção. 

É essencial registrar a contribuição de quem esteve pelo caminho porque a Caio Calfat Real Estate Consulting é, antes de tudo, equipe de consultores e especialistas que atuam conforme o desafio do projeto. Pelo lado do mercado, é vital destacar a atuação de empreendedores, operadores, juristas, investidores, gestores públicos e lideranças setoriais que ajudaram a converter debate em referência.

Vale salientar que nada disso seria possível sem o associativismo. O setor se fortaleceu ao reunir desenvolvedores, operadores, administradores e financiadores em uma mesma mesa. A criação de fóruns, comissões, eventos técnicos e programas educacionais reduziram a improvisação, estabeleceram um vocabulário técnico e aceleraram o aprendizado do mercado. A colaboração, nesse contexto, é garantia de eficiência. Ao reunir players com interesses diferentes de forma organizada, o mercado ganha direção.

Foi com essa ideia em mente que a Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (ADIT) nasceu, em 2006. Criada com o objetivo de unificar um mercado fragmentado, a associação transformou diálogos em regras e em modelos que podem ser repetidos, ampliando a discussão técnica por meio de encontros que anteciparam tendências e diminuíram as decisões tomadas de forma impulsiva. Aqui, o associativismo é mais que conversa burocrática: é gestão na prática.

Paralelamente, a ideia de moradia expandiu os limites que até então existiam no mercado. Coliving, student living e sênior living provaram que o futuro da moradia está cada vez mais ligado a serviços e vivências. A moradia para idosos, em particular, é uma resposta a uma mudança populacional inevitável e demanda uma nova forma de pensar a habitação, com autonomia e independência, atenção, respeito ao convívio social e bem-estar.

Após três décadas, o que fica não são receitas prontas, mas sim a importância das decisões tomadas e a responsabilidade por suas consequências. Cada empreendimento, cada local e cada destino carregam consigo escolhas que permanecem por mais tempo do que ciclos econômicos. Quando um setor aprende a tomar decisões com método e responsabilidade conjunta, ele não precisa mais contar com a sorte. 

O turismo com viés imobiliário segue avançando, mas agora com maior consciência sobre seus impactos. Estamos prontos para os desafios dos próximos 30 anos.

Caio Calfat, vice-presidente de Assuntos Turístico-Imobiliários do SECOVI-SP, fundador e diretor-geral da Caio Calfat Real Estate Consulting

Fonte: Turismo Compartilhado