SAHIC: a evolução dos condo-hotéis a partir da regularização
Estruturas jurídicas, financeiras e operacionais foram os temas abordados no painel Estruturação de Investimentos Hoteleiros: De Condo-Hotéis a Fundos de Investimento, realizado na 20ª edição do SAHIC Latin America and The Caribbean, na manhã de hoje (24). Como os projetos de hospitalidade são financiados e escalados atualmente orientou o debate comandado por Ricardo Mader, managing director da JLL.
O Manual de Melhores Práticas dos Condo-Hotéis, desenvolvido pelo Secovi-SP e ADIT Brasil, foi revisado com o objetivo de complementar e contextualizar as normas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), oferecendo diretrizes atualizadas e práticas que reforçam a segurança e a eficiência do modelo. O documento detalha os papéis e responsabilidades dos diversos players envolvidos, assim como a perspectiva do produto como investimento, entre outros aspectos dos projetos. Com a regularização do segmento, o que mudou, de fato, no mercado?
Para contextualizar, Paulo Augusto Mendonça, partner na Marrey Mendonça Advogados, destacou que o modelo de condo-hotéis é visto com muitas críticas, mas o fato de grande parte do parque hoteleiro ser estruturado a partir dele mostra como o segmento é sólido e tem funcionado. “Muitos projetos, porém, são apresentados, mas não vão ao mercado”, ponderou.
Caio Calfat, presidente da Caio Calfat Real Estate Consulting, lembrou que o modelo de condo-hotéis surgiu nos anos 80, pela falta de financiamento para o desenvolvimento de hotéis. “O mercado imobiliário tomou essa iniciativa de construir hotéis por meio de condomínios. Esses projetos, originalmente, foram concebidos como residenciais com serviços hoteleiros, os antigos flats ou apart-hotéis. Os investidores, ao invés de alugarem individualmente, optaram por se unir em um pool de locação”, explicou o executivo.
Marcia Rezeke, partner na RZK Advogados, avaliou a regularização da CVM com bons olhos, mas destacou que ainda há lacunas na atuação da entidade. “O operador não toma a decisão sozinho. Por um lado, houve certa organização do mercado. Muitas vezes, observamos esse movimento de muitos empreendimentos surgindo sem regularização, mas faria mais sentido se a CVM avaliasse os prospectos, o que não acontece. Ela não questiona”.
Retorno de investimento
A entrada da CVM expôs uma questão clara: quem dita o ritmo do desenvolvimento são as incorporadoras, que encontraram um nicho de mercado rentável no segmento imobiliário. Para Mendonça, a questão da redução da oferta de novos empreendimentos aprovados é fruto de uma série de fatores, como crise econômica e maior regulamentação.
“Há o fenômeno de disciplinar o mercado, que está em um momento de maturidade e complexidade. Atualmente, temos club deal e family friends, que são contratos de investimento coletivos feitos de maneira fechada”, avaliou o speaker.
Mendonça ainda pontuou que o mercado tem espaço para migrar empreendimentos para o modelo de fundos de investimento, mas ponderou que ainda não há iniciativas focadas no desenvolvimento hoteleiro.
(*) Crédito das fotos: Nayara Matteis/Hotelier News
Fonte: Hotelier News