Multipropriedade avança no Nordeste e ganha espaço na Paraíba

Mercado regional já soma R$ 30,3 bilhões em VGV potencial e encontra na Paraíba novos espaços para expansão

Estado foi pioneiro ao estabelecer norma para multipropriedade dentro do Polo Turístico Cabo Branco. (Foto: Divulgação)

O mercado de multipropriedade deixou de ser um nicho do turismo brasileiro e ganhou escala no Nordeste. Segundo a décima edição do estudo Cenário do Desenvolvimento de Multipropriedades no Brasil, da Caio Calfat Real Estate Consulting, a região reúne 65 empreendimentos, sendo 33 prontos, 28 em construção e quatro em lançamento.

Juntos, os projetos representam R$ 30,3 bilhões em Valor Geral de Vendas potencial e mais de 11,6 mil unidades hoteleiras. O Nordeste é o segundo maior mercado brasileiro, atrás apenas do Sul. Bahia, Ceará e Alagoas aparecem entre os principais polos regionais.


Mercado mais que dobrou

No Brasil, o número de empreendimentos passou de 109, em 2020, para 224 em 2026, crescimento de 105,5%. O setor está presente em 99 cidades de 18 estados, com 44.027 unidades habitacionais e 1,26 milhão de frações imobiliárias.

O VGV potencial chegou a R$ 100,5 bilhões, dos quais R$ 66,3 bilhões já foram comercializados. O estoque caiu de 42,5% para 34% no período analisado, indicando maior absorção do produto pelo mercado.


Paraíba cria ambiente próprio

É nesse cenário que a Paraíba tenta ampliar sua participação. O Estado foi pioneiro ao estabelecer uma norma específica para multipropriedade dentro do Polo Turístico Cabo Branco, com o objetivo de oferecer segurança jurídica aos investidores e estimular projetos estruturados.

A Companhia de Desenvolvimento da Paraíba afirma que a regulamentação foi construída após diálogo com empresas do setor e prevê mecanismos para dar maior segurança aos empreendedores interessados em implantar projetos de multipropriedade no polo.

A estratégia também está sendo ampliada. Em 2026, o Governo da Paraíba criou os polos turísticos do Centro Histórico de João Pessoa, Tambaba e Sertão. O Polo de Tambaba, no litoral sul, foi estruturado justamente para atrair grandes empreendimentos de turismo, lazer e entretenimento.


João Pessoa já tem mercado

A multipropriedade não é apenas uma possibilidade futura para a capital paraibana. João Pessoa já possui empreendimentos nesse formato.

O Grupo Viver Infinity informa que o Infinity at the Sea, lançado em 2020, foi comercializado no modelo de multipropriedade e que o Marinas Ocean Resort, no Cabo Branco, é o primeiro resort exclusivo de multipropriedade da Paraíba.

O próprio empreendimento apresenta o modelo como aquisição de uma fração do imóvel, associada ao direito de utilização em semanas determinadas todos os anos.


Turismo encontra mercado imobiliário

A expansão desse modelo acompanha uma transformação maior na economia do turismo paraibano. O Polo Turístico Cabo Branco já soma R$ 3,3 bilhões em investimentos, 15.649 novos leitos e mais de 21 mil empregos diretos e indiretos previstos durante a construção dos empreendimentos, segundo dados da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba.

A concentração de novos hotéis, resorts, equipamentos de lazer e serviços cria um ambiente favorável para produtos que combinam turismo e mercado imobiliário.

Nesse modelo, o consumidor pode adquirir uma fração de uma unidade e utilizar o imóvel durante determinados períodos do ano, compartilhando custos de aquisição e manutenção com outros proprietários.


Três modelos diferentes

Multipropriedade, timeshare e direito de uso não são sinônimos.

Na multipropriedade, existe aquisição de uma fração imobiliária e direito de utilização correspondente. O modelo possui regulamentação específica no Brasil desde 2018.

No timeshare, o consumidor adquire o direito de utilização por períodos determinados, que pode ser organizado por semanas ou sistemas de pontos.

Já o direito de uso estabelece contratualmente o acesso ao empreendimento durante períodos definidos, sem transferência da propriedade do imóvel.

A diferença é importante porque muda a relação do consumidor com o patrimônio, os custos e as possibilidades de utilização.


Paraíba busca uma nova fatia

O movimento mostra que a disputa por investimentos turísticos na Paraíba não se limita à construção de hotéis. O Estado começa a estruturar um ecossistema que reúne hotelaria, mercado imobiliário, lazer e turismo compartilhado.

Com o Polo Cabo Branco consolidado e novos distritos turísticos em estruturação, a multipropriedade passa a ser mais uma frente potencial de negócios para o litoral paraibano.

O desafio, daqui para frente, será transformar segurança jurídica e disponibilidade de áreas em projetos economicamente sustentáveis, capazes de ampliar o fluxo turístico sem transformar o produto em mera especulação imobiliária.


Fonte: Paraíba Business