Relatório destaca tendências da multipropriedade no Brasil

Pip Seger, CEO da agência O Cérebro

Produzido pela agência O Cérebro, com apoio da Caio Calfat Real Estate Consulting, o relatório “Brands for the Future – Recorte Multipropriedades” destaca que o setor imobiliário e turístico brasileiro atingiu um marco histórico em 2026: o potencial de vendas de R$ 100 bilhões que consolidou a multipropriedade entre os viajantes brasileiros.

Segundo o estudo, o crescimento é impulsionado pelo aumento nos custos de viagens internacionais, que resultaram em um olhar mais atento para o mercado doméstico e fizeram com que o modelo compartilhado tornasse uma opção lógica, com qualidade e custos previsíveis.

“O relatório mostra que o viés econômico e critérios demográficos são importantes, mas não devem ser os únicos balizadores”, diz Pip Seger, CEO da agência, reforçando que o formato contribui para transformar tendências em caminhos concretos, trazendo destaques, sinais emergentes, impacto para as marcas, perguntas estratégicas e aplicações possíveis que ajudam incorporadoras, desenvolvedores e equipes de marketing a sair da fase de diagnóstico.

Confira alguns recortes da pesquisa:

Perfil do multiproprietário brasileiro

– Idade entre 35 e 54 anos, com atuação como empresários, profissionais liberais, autônomos, servidores públicos ou aposentados, em fase de estabilidade profissional e financeira.

– Embora exista um núcleo consolidado de compradores de alta renda, a multipropriedade no Brasil vem ampliando sua base entre compradores das classes B e C, concentrada em faixas de renda entre R$ 7 mil e R$ 22 mil mensais.

– Há três grupos de multiproprietários: o familiar (perfil que encontra conforto no conhecido), o investidor (enxerga a multipropriedade como um ativo financeiro estratégico) e o de classe média (que mescla características aspiracionais e pragmáticas, buscando acessar um padrão elevado e avaliando custos).

A jornada antes da compra

O alerta é para que os desenvolvedores tenham atenção com os espaços de transição e espera, destacados pelos pesquisadores como os “únicos momentos que os clientes não precisam ficar na defensiva, recusando propostas de vendas”. Filas, banheiros e lobbies, devem ter sua estética pensada, além de oferecer conforto e estímulos sensoriais para que a marca eleve a experiência do cliente e reforce sua identidade em cada contato.

Crescimento do wellness

O viajante contemporâneo busca experiências que contribuam para recuperar energia, reduzir o estresse e restabelecer o equilíbrio no dia a dia. Oferecer esses escapes faz com que o bem-estar de torne critério de decisão para a compra da multipropriedade. Entre as aplicações destacadas no relatório está a priorização de construção em terrenos longe de estradas movimentadas e sem vizinhança industrial, o que pode ser escasso no futuro.

O poder dos sentidos

Uma das sugestões apontadas pelo relatório é criar um ambiente sensorial durante a visita à unidade modelo, com iluminação quente, música ambiente e uma mesa posta com petiscos regionais. “Fica mais fácil para o visitante visualizar como seria a semana de descanso e como aquele espaço se encaixa na sua vida”, aponta o documento.

Incertezas econômicas prolongadas criaram normas de consumo

Incerteza mantém o consumidor em modo de cautela, o que o faz priorizar negócios com previsibilidade. O estudo reforça a conclusão com dados da Euromonitor que mostram que 50% dos consumidores estão dispostos a gastar dinheiro para economizar tempo e que 72% estão preocupados com o aumento do custo de itens do dia a dia. “Ao eliminar a necessidade de pesquisa constante e a exposição à volatilidade de preços, o modelo de negócio reforça a sensação de controle financeiro”, resume.

Turismo inclusivo e a vida após os 50

Para o perfil sênior, a decisão de compra está ligada à possibilidade de criar momentos com a família, e, ao mesmo tempo, transformar a fração do imóvel em legado. O estudo indica que as equipes precisam sair de uma abordagem genérica de férias para falar sobre convivência, experiência compartilhada e construção de legado. “Quanto menos barreiras, maior a facilidade de uso para diferentes perfis”, aponta, alertando também que acessibilidade não deve se limitar a pessoas cadeirantes.

Sustentabilidade como ativo de longo prazo

O mercado vai cobrar cada vez mais que os empreendimentos sejam sustentáveis, o que faz dessa uma pauta primordial. “Mais do que uma escolha ideológica, empreendimentos sustentáveis tendem a envelhecer melhor e manter relevância em um cenário onde exigências ambientais só aumentam”, aponta. Uma das propostas é criar projetos pensando em legislações ambientais futuras, não apenas nas atuais, além de tratar eficiência energética e qualidade do ar como atributos de produto.

A nova era da hospitalidade inteligente

Automação e inteligência artificial mudaram a forma como o investidor enxerga o ativo porque entregam consistência na experiência e eficiência na gestão, atributos essenciais para um perfil que anseia por previsibilidade. A conclusão do relatório é que um imóvel com tecnologia, atendimento ágil e experiências personalizadas é mais bem avaliado por quem o utiliza, resultando em mais ocupação, mais satisfação e mais recorrência. “Para o investidor, isso significa um ativo mais eficiente e competitivo”, descreve.

Fonte: Hotel News