Adit Share: retração na oferta marca nova fase da multipropriedade
(*) Crédito das fotos: Lucas Barbosa/Hotelier News
O mercado de multipropriedade no Brasil registrou retração da oferta corrente em 2026, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (6) durante a Adit Share 2026, em Campos do Jordão (SP). O estudo foi apresentado por Caio Calfat, diretor-geral da Caio Calfat Real Estate Consulting, e Fernanda Nogueira, diretora de Projetos da consultoria.
De acordo com o levantamento, o número de empreendimentos em oferta caiu 21,7% em relação a 2025, totalizando 90 projetos. Já o volume de unidades habitacionais cresceu de 42,5 mil para 44 mil, alta de 3,4%. O total de frações avançou 5,1%, chegando a 1,2 milhão. Mesmo com a redução da oferta, o setor mantém sinais de maturidade, com avanço nas vendas e maior absorção dos estoques.
Atualmente, o país soma 224 empreendimentos de multipropriedade, distribuídos em 99 cidades de 18 estados. Desse total, 119 estão prontos, 84 em construção e 21 em fase de lançamento. O VGV (Valor Geral de Vendas) potencial supera R$ 100,5 bilhões em 2026, crescimento de 8,5% em relação ao ano anterior. Já o VGV comercializado alcança R$ 66,3 bilhões, alta de 24,4%, refletindo desempenho mais robusto nas vendas.
Esse movimento contribuiu para a redução do estoque médio para 34%, indicando maior equilíbrio entre oferta e demanda. Em 2025, o índice era de 42,5%. Naquele ano, o setor somava 216 empreendimentos, com 42,5 mil unidades. O VGV potencial atingia R$ 92,6 bilhões, enquanto o volume vendido chegava a R$ 53,3 bilhões.
“Essa redução é comum, ainda mais nesse cenário em que vivemos, com taxa de juros alta, o que faz com que o consumidor opte por esperar para comprar em períodos mais propícios. Além disso, o cenário político, econômico e geopolítico induziu nosso relatório deste ano a apresentar um resultado mais baixo. Mas é um mercado maduro, e o importante é que, em 14 anos de existência, conseguimos crescer significativamente”, pontuou Calfat.
A queda dos estoques foi observada em todas as fases de desenvolvimento. Nos empreendimentos prontos, o índice recuou de 16,5% para 8,9%. Nos projetos em construção, passou de 48,2% para 41%. Já nos lançamentos, caiu de 87,8% para 69,5%, indicando maior absorção tanto de produtos concluídos quanto de projetos ainda em fase inicial.
Outros dados
A análise por estágio também revela diferenças no ritmo de vendas. Empreendimentos concluídos somam VGV potencial de R$ 35,1 bilhões, com R$ 32 bilhões já comercializados. Nos projetos em construção, o potencial é de R$ 50,6 bilhões, com R$ 29,8 bilhões vendidos. Já os lançamentos concentram R$ 14,9 bilhões em VGV potencial, dos quais R$ 4,5 bilhões foram convertidos em vendas.
“Hoje, a multipropriedade é um negócio que continua sendo absorvido em vários mercados, crescendo de forma segmentada, com volume menor. Além disso, estamos vendo um processo de interiorização do setor, com muitos empreendimentos sendo desenvolvidos nesses destinos”, disse Fernanda.
Com base nesses indicadores, a avaliação é de que o mercado entra em uma fase de maior equilíbrio, sustentada por vendas mais consistentes e por uma base ampliada de consumidores. A tendência é de maior protagonismo de fatores como governança, eficiência operacional e profissionalização da gestão na sustentação do crescimento.
Fonte: Hotelier News