Mercado fracionado de imóveis amadurece e reduz estoques
Há 224 empreendimentos do gênero em 99 cidades, apenas 4% mais que em 2025
Cidades turísticas como Gramado, no Rio Grande do Sul, são os maiores polos das chamadas multipropriedades Foto: LEONIDAS CARDOSO /
O setor de multipropriedades - aquele em que o imóvel é vendido para vários donos, com direito de uso por algumas semanas - está passando por uma fase de amadurecimento. Após vários anos seguidos de expansão no Brasil, os lançamentos de novos projetos recuaram, com as empresas mais focadas em reduzir o volume do estoque. “Este é o primeiro ano em que o volume de lançamentos deu uma caída, mas as vendas foram bem e vimos uma redução dos estoques”, diz o consultor Caio Calfat. “Isso foi importante, porque a absorção do estoque trouxe o mercado para um patamar mais saudável”.
O mercado brasileiro tem, hoje, 224 empreendimentos do gênero em 99 cidades, apenas 4% mais que o começo do ano passado (data da última pesquisa), quando eram 216, conforme levantamento produzido pela consultoria Caio Calfat Real Estate.
Por outro lado, é 105% maior (mais que o dobro) de 2020, quando eram 109. Em termos de casas e apartamentos, são 44 mil unidades, o que corresponde a 1,2 milhões de frações. Calfat lembra que o período de pandemia foi duro para o setor, que enfrentou muitos distratos de vendas e aumento dos estoques.
A subida rápida dos juros no País também apertou os negócios. O cenário ficou mais tenso com as dificuldades financeiras de empresas conhecidas, como a WAM e a Gramado Parks, que deixou parte dos consumidores ressabiados. Mas, pouco a pouco, a tensão foi diminuindo.
Exemplo disso, é a recuperação do setor de lazer como um todo no País, com crescimento das viagens aéreas e ocupação dos hotéis. Por sua vez, o mercado de multipropriedades se beneficia disso, pois envolve imóveis de praia, campo e montanha, destinados ao descanso.
As cidades de Gramado (RS), Olímpia (SP) e Caldas Novas (GO) são os maiores polos. Assim, as vendas de frações de imóveis movimentaram R$ 66,3 bilhões no acumulado dos últimos 12 meses até abril de 2026, alta de 24,4% perante os 12 meses anteriores, segundo a consultoria. Isso fez o estoque de frações disponíveis para venda cair de 42,5% para 34% do total.
Os números mostram uma demanda maior em relação aos produtos já entregues, mas também indicam um aumento da confiança em relação à compra de empreendimentos nas fases iniciais. Entre os imóveis prontos, o estoque disponível para venda caiu de 16,5% para 8,9.
Nos imóveis em obras, baixou de 48,2% para 41%. Já nos empreendimentos na planta, houve recuo de 87,8% para 69,5%. “O que temos hoje é um mercado mais equilibrado”, avalia Calfat.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+no dia 08/05/2026, às 18:13
O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.
Fonte: Estadão